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Vale a pena comprar um amplificador valvulado ? - Amplificadores (IV)

domingo, 23 de junho de 2013

Olá !

No post anterior, aprendemos os fatos básicos sobre válvulas, transistores e como funcionam os diversos estágios de um amplificador de guitarras.

Vamos juntar agora o que aprendemos para tirar algumas conclusões importantes na hora de escolhermos nosso amplificador.

Antes porém, vamos falar da simulação digital, que é um desenvolvimento tecnológico recente e está sendo cada vez mais incorporado nos amplificadores de guitarra, até mesmo pelos fabricantes mais tradicionais.

Simulação Digital de Amplificadores


Já sabemos que os modelos valvulados criaram as referências sonoras que moldaram o som do Rock e do Blues aprendemos a amar. Mas  estas "sonoridades", nada mais são do que parâmetros sonoros que dependem de tudo o que falamos anteriormente mais outras variáveis, como posicionamento dos microfones e construção da caixa de som. Através de análises matemáticas sofisticadas, os engenheiros conseguem decompor essas referências sonoras em parâmetros e dados, permitindo que algorítimos computacionais (programas) reconstituam a sonoridade original de um determinado amplificador.

Então, a simulação digital nada mais é do que o uso de algorítimos de simulação sonora em computadores para simular o som de um equipamento real. Esses programas podem rodar no nosso computador pessoal, são os chamados "plugins", como o GuitarRig e o Amplitube, podem rodar em um equipamento específico como é o caso do V-Amp e do Pod, podem rodar dentro de pedais e pedaleiras (nesse caso, os algorítimos são utilizados para gerar os efeitos e simular pedais mas as pedaleiras com mais recursos também simulam amplificadores), e, cada vez mais comum, os recursos de simulação já vêm embutidos nos próprios amplificadores, que, nesse caso, costumam ser conhecidos como "híbridos".

Uma pergunta comum: "mas isso funciona, o som gerado é igual ao de um valvulado ?"

Olhe, quem acompanha a evolução destes programas já há alguns anos sabem o tanto que eles melhoram a cada novo lançamento, hoje eu diria que estão muito próximos de suas referências e sua praticidade faz com que sejam cada vez mais utilizados não só em shows mas também em gravações profissionais.


Como escolher um Amplificador de Guitarra



Duas coisas vão determinar essa escolha: a sua disponibilidade financeira e o uso que você vai fazer do amplificador, o que envolve naturalmente o tipo de música que quer tocar.

Usando o computador como Amplificador de Guitarra !


Uma dica é que se você não tem muito dinheiro disponível, ao invés de comprar um amplificador pequeno e ruim, talvez seja bem mais interessante comprar uma interface tipo "GuitarLink" e tocar "plugado" no seu computador ou notebook. Como isso funciona ? Essas interfaces permitem que você ligue a guitarra em uma porta USB do seu computador e, através do uso de programas tipo GuitarRig e Amplitube simule o som de um amplificador de verdade, sendo que o som da guitarra vai sair nas caixas ou nos fones. Se você tiver caixas de boa qualidade vai conseguir um som excelente, e melhor, vai aprender a usar uma quantidade infinita de timbres e efeitos ! Na verdade, é possível fazer isso mesmo sem a interface USB, plugando a guitarra na entrada de microfone do computador usando um adaptador de plugues mas, nesse caso, o resultado final vai depender da qualidade da sua placa de som. Como uma interface USB custa menos de R$ 100,00, recomendo comprar uma.



Comprando o primeiro Amplificador de Guitarra !


Mas o ideal mesmo é comprar um amplificador, saiba que a partir do momento em que fizer isso pela primeira vez sua vida nunca mais será a mesma, rsrs, porque o karma de nós, guitarristas é viver uma relação de amor e ódio eterna com essas "caixinhas" !

O primeiro amplificador tem a função de ser usado como aprendizado mas o que acontece é que, após 6 meses ou um ano de aprendizado, você vai querer tocar em ensaios com seus amigos ou mesmo tocar em pequenos shows. Se seu amplificador for muito pequeno, não vai rolar. Melhor então comprar um amplificador que atenda a essas necessidades, certo ?

Tamanho do Auto-Falante


A primeira coisa que você deve olhar é o tamanho do falante. O ideal para um guitarrista é um "combo" (equipamento em que a caixa de som e o amplificador já vêm integrados em um mesmo gabinete ) com um auto-falante de 12". Esse único auto-falante será capaz de uma projeção sonora bastante satisfatória. No entanto, um amplificador assim pesa em torno de 20 kg. Parece leve mas não é. O peso depende muito do tamanho do auto-falante, então, caso queira um equipamento mais leve, pode comprar um com auto-falante de 10", se o equipamento for de boa qualidade ainda assim você conseguirá um bom som, mas sem a mesma projeção de um falante de 12". Não recomendo comprar amplificadores com auto-falante abaixo de 8".

Recursos embutidos do Amplificador


Quando começamos a tocar as despesas são muito altas. Temos que comprar a guitarra e pagar as aulas, que são caríssimas. Então, para evitar despesas tendo que comprar também uma pedaleira ou vários pedais, seria interessante que o nosso primeiro amplificador já incorporasse os efeitos mais importantes. Em outras palavras, que tenha recursos suficientes para precisamos apenas do amplificador e da guitarra para tocar. Assim, quando formos comprar um amplificador é importante observar os recursos que ele oferece, seria bastante desejável que ele tivesse dois canais separados um para o som "clean" e outro para o som com "drive" (distorção). É claro que a qualidade do "drive" gerado será um dos fatores determinantes de escolha. Além disso, procure um amplificador que tenha pelo menos os recursos de  "reverb" ou "delay", mesmo que esses efeitos sejam gerados digitalmente. Não precisa oferecer os dois, basta um para "molhar" o som ! Como você vai utilizar o equipamento para tocar em casa, é importante também que tenha a saída para fones de ouvido.




Potência do Amplificador



Dentro do conceito anterior de que o amplificador deve servir para o aprendizado, ensaio e pequenos shows, recomendo comprar um em torno de 50W de potência, caso seja transistorizado. Um detalhe é que os amplificadores valvulados, devido a maneira como trabalham as válvulas, possuem uma outra referência em termos de potência. Quero dizer que se você comprar um valvulado de 50W, possivelmente ou ficar surdo ou vai ser expulso do prédio se tocar no volume 2 desse amplificador ! As razões dessa discrepância são várias e ficaria muito extenso explicar isso em um blog para inciantes mas têm vários artigos interessantes na internet, é só pesquisar que acha. Então, caso compre um amplificador valvulado, pense alguma coisa em torno de 15W, que já não são pouca coisa em termos de valvulados.


Mas afinal, vale a pena comprar um amplificador valvulado ?


No post anterior comecei falando da minha fascinação pelas válvulas desde pequeno e reconhecendo a superioridade sonora dos amplificadores valvulados. Tive muitos valvulados e até cheguei a construir alguns. Mas hoje toco ao vivo usando apenas amplificadores transistorizados, com exceção de um pequeno valvulado Fender SuperChamp XD que eu uso para tocar em casa ou em shows em ambientes bem pequenos. O que aconteceu ? O meu problema com os valvulados é a confiabilidade deles. Tive alguns problemas, poucos mas chatos, com valvulados pifando no meio do show. Quando você transporta um equipamento valvulado existe o risco de que a trepidação gere algum problema com as válvulas ou seus soquetes. Valvulados trabalham em temperaturas altas e essa variação de calor às vezes traz problemas. Existe ainda uma questão atroz que são os problemas com a rede elétrica do local onde você vai tocar, se ela não estiver 100% (e geralmente nunca está !) os valvulados podem não gostar... E por fim, não sei explicar bem o por que mas os valvulados são "temperamentais", em uma noite o som está maravilhoso, em outra a mágica não acontece...

Sou ruim para lidar com esses aspectos, quero apenas ligar o amplificador e ter certeza que ela vai funcionar do jeito que eu espero para que eu possa tocar tranquilamente!

A verdade é que os valvulados dão muito mais problemas do que os amplificadores solid state, a manutenção é bastante cara, então, só recomendo a um iniciante comprar um amplificador valvulado se:
  • Se tiver na sua cidade assistência técnica ou um bom técnico de manutenção de valvulados
  • Caso você tenha pelo menos conhecimentos básicos de eletrônica que te permitam, por exemplo, trocar uma válvula você mesmo com segurança sem ser eletrocutado (não se esqueça que valvulados trabalham com tensão alta, em torno de 400V, possivelmente mortal e perigosa)  !

Por fim, vamos lembrar também que grandes guitarristas de vários estilos não usam valvulados e conseguem timbres fantásticos com equipamentos solid state. Lembro aqui do mestre B.B. King e do saudoso Pantera Dimebag Darrel.

Mas não se preocupe, se não for dessa vez que você vai comprar seu valvulado, um dia você terá um, aliás, terá vários, kkkk !

Abraços e até a próxima !










Vale a pena comprar um amplificador valvulado ? - Amplificadores (III)

domingo, 19 de maio de 2013


Sua majestade, a Válvula !


Meu fascínio com as válvulas começou ainda na infância. Cheguei a pegar o tempo em que as TVs eram valvuladas. Ficava fascinado quando a TV quebrava e o técnico chegava para consertar, abrindo aquele aparelho misterioso e fazendo medidas com o multímetro. Que conhecimento fabuloso aquele homem deveria ter, eu pensava ! E no final, eram sempre as válvulas as culpadas pelo defeito, bastava trocá-las e tudo voltava à normalidade, elas podiam tudo... E, é claro, eu sempre pedia para ficar com as válvulas substituídas para minha coleção !

Haviam também as chamadas "radiolas", um móvel de madeira em que a parte debaixo acomodava os falantes e em cima ficava um radio/amplificador valvulado que pegava estações do mundo inteiro e o toca discos. A qualidade do som era fantasticamente boa, infinitamente melhor do que esses 3 em 1 modernos, você sentia os graves retumbar dentro do peito, esse foi o meu primeiro contato com a "porrada" do som das válvulas. Infelizmente, essas ótimas radiolas costumavam ser impiedosamente atacadas pelos cupins !!!


As origens

Mas o que podemos aprender com todo esse saudosismo ?! Simples, as válvulas chegaram primeiro e quem chega primeiro ocupa o lugar ! É fato, a guitarra elétrica começou a marcar a história da música a partir da década de 50, então todas as nossas referências sonoras que recebemos de forma direta ou indireta desse instrumento foram moldadas pelos estilos musicais que se desenvolveram nos EUA a partir dessa época. O Blues, o Jazz, o rhythm & blues , a Soul Music, o Country e o Rockabilly eram estilos musicais que usavam a guitarra elétrica e nós recebemos essas influências, indiretamente, através do Rock. E todos esses sons maravilhosos de guitarra foram gravados com amplificadores valvulados !

Next Generation


A partir do final da década de 50, os dispositivos de estado sólido ("solid state"), que incluem os transistores e diodos semicondutores chegaram para revolucionar a eletrônica e o mundo. Mas nessa altura, as referências sonoras da guitarra elétrica já estavam formadas. Isso quer o dizer o seguinte, a imensa maioria dos guitarristas vai sempre concordar que o som do amplificadores valvulados é melhor e vai querer esse som na sua música.

Como a maior parte os equipamentos eletrônicos foram sendo migrados da tecnologia valvulada para o solid state, os amplificadores de instrumentos musicais não foram exceção. Porém, essa migração foi projetada para tentar reproduzir da forma mais fiel possível  o som das válvulas. 

E é que começam nossos problemas, não é fácil reproduzir o som das válvulas, principalmente por causa, digamos, das "imperfeições" delas e outros detalhes. Mas para entender isso, vamos precisar entender um pouco como funciona um amplificador de guitarra.


Diagrama em blocos de um Amplificador de Guitarra



De uma maneira bem simplificada, um amplificador de guitarra tem os seguintes módulos: 




Não necessariamente um amplificador vai ter todo esses blocos mas é importante compreender as funções de cada um:

  • O Pré-Amplificador corresponde ao primeiro estágio de amplificação do pequeno sinal elétrico gerado pelos captadores das guitarras. Esse pequeno sinal, da ordem de milivolts é amplificado pelo Preamp até um nível onde o sinal possa ser "trabalhado" em suas características para chegar a uma modelagem de timbre desejada.
  • O Power (amplificador de potência) vai pegar o sinal gerado pelo Preamp, modelado pelos circuito de tonalidade e efeitos e vai amplificá-lo até o nível onde exista potência suficiente para excitar o auto-falante nos volumes desejados.
  • O Transformador de Saída (Trafo) existe pela necessidade de fazer um "casamento" entre a alta impedância de saída do Power valvulado e a baixa impedância do Auto-Falante. Apesar de ser um elemento passivo, ele é muito importante para o timbre final do amplificador. Amplificadores transistorizados não precisam de trafos, já que a impedância de saída dos transistores é baixa e pode ser casada com os falantes através de outros componentes. Isso vai baratear o custo do amplificador transistorizado mas é uma das razões pelas quais existe diferença sonora entre amplificadores valvulados e transistorizados.
  • O Alto-Falante (ou Auto-Falante, também não é errado !) transforma o sinal elétrico em ondas sonoras. 
  • O Loop de Efeitos é um circuito especial que permite que se introduza uma cadeia de efeitos externa (pedais) de uma maneira melhor do que simplesmente ligá-los entre a guitarra e o amplificador. Amplificadores mais baratos não costumam ter loop de efeitos ou se têm, usam circuitos bem simples. São muito úteis para quem gosta de pedaleira.
  • O Reverb é um recurso que se incorporou nos amplificadores valvulados e acabou se tornando uma referência sonora clássica. Ele dá aquela "ambiência", aquele som de "eco" curto que ouvimos quando falamos em uma igreja ou uma sala grande vazia. Existem reverbs construídos a partir de uma peça mecânica (uma mola esticada, com transdutores elétricos nas extremidades), os chamados "tanques de reverb" e existem também os reverbs gerados puramente por circuitos eletrônicos.
  • Os Efeitos Sonoros em um amplificador de guitarra tradicional se resumem no Reverb e nos controles de "drive" (distorção, saturação, ganho). No entanto, amplificadores mais modernos ou sofisticados costumam oferecer também outros recursos de efeitos sonoros, como o "Chorus" e o "Delay"."
  • A Fonte de Alimentação tem o papel de converter a corrente alternada existente na tomada elétrica para a corrente contínua que os componentes eletrônicos precisam para trabalhar. Este processo é conhecido como "retificação". No entanto, ela também é importante para o timbre final do amplificador, como veremos adiante. 


A questão Válvula x Transistor !

Muito bem, já sabemos que as válvulas vieram primeiro e já compreendemos os módulos básicos de um amplificador de guitarras. Vamos estudar agora uma coisa muito importante para entender a diferença entre essas duas tecnologias e quais as implicações no som que vamos obter.

Um amplificador de áudio ideal seria aquele que amplificaria o sinal de entrada de maneira perfeita, ou seja, o sinal seria reproduzido sem nenhuma distorção ou alteração em seu timbre original.

Entendido isso ?!

Pois bem, esse amplificador de áudio ideal nunca existiu e nos primórdios da amplificação eletrônica, os amplificadores eram baseados em válvulas que eram bastante "imperfeitas" e alteravam sobremaneira o sinal original.

O problema é o nosso ouvido aprendeu a amar essas imperfeições, já que as nossas referências sonoras foram gravadas com amplificadores valvulados !

Então aquilo que deveria ser um grande problema (a distorção e a compressão do sinal sonoro) se tornou o grande objetivo da maioria dos amplificadores de guitarra ! 

Nesse ponto, vamos ver de onde se origina a distorção do som (e também a compressão do sinal, já que uma coisa é consequência da outra) em um amplificador valvulado:

  • Válvulas: quando amplificam o sinal as válvulas produzem uma espécie de "achatamento" nos vales e picos das ondas sonoras, isso acontece tanto no Pré-Amplificador quanto no Power. Dependendo do circuito usado, pode até mesmo acontecer o chamado "ceifamento" da onda. Isso resulta em um sinal sonoro mais ricos em harmônicos, como mostra o Teorema de Fourrier.
  • Transformador de Saída: devido aos efeitos dos materiais eletromagnéticos, o transformador de saída também introduz distorções no sinal de potência que vai ser direcionado para o Alto-Falante.
  • Alto-Falante: não existe Alto-Falante perfeito, todo Alto-Falante distorce o som, não bastasse isso, os Engenheiros Eletrônicos, para satisfazer o gosto dos músicos por distorção, ainda projetam Alto-Falantes que distorcem ainda mais, ou ainda, projetos onde os Alto-Falantes trabalham "forçados", recebendo um sinal maior do que aquele que deveriam suportar !
  • Fonte: as fontes valvuladas são um tanto ineficientes na sua capacidade fornecer a corrente contínua necessária ao funcionamento do amplificador. No entanto, essa "ineficiência" também é benvinda para efeitos de gerar distorção.
Olhem só, estamos vendo até aqui que a distorção em um amplificador valvulado se origina do Pré, do Power, do Trafo, da Fonte e do Alto-Falante ! Então, será que adianta você comprar um amplificador que tenha apenas o pré valvulado, ou ainda uma pedaleira que venha com uma válvula para "esquentar o som" para conseguir o "som do valvulado" ??? ! Pouco provável, né ? E agora você sabe o por quê !

(Paro aqui, vou publicar a segunda parte do artigo só na semana que vem para que ele não fique grande demais, certo ? Até lá e abraços !)